01 junho, 2015

Diferenças na leitura de textos escritos e textos multimodais

Esta tabela, que mostra as diferenças na leitura de textos escritos e de textos multimodais, foi publicada por Maureen Walsh em um artigo de 2004. Acredito que pode ser de interesse para muitos professores.

Aqui mostramos a adaptação para o português feita por Assunção (2014) dessa tabela. Acrescentei simplesmente outras cores para diferenciar melhor cada bloco de informações.


Como alerta Walsh, é necessário considerar que no  quadro  anterior, embora  as  caraterísticas na leitura de cada tipo de texto fiquem divididas, nem  sempre ocorrem  separadamente,  pois  muitos  textos  multimodais  combinam  variedades  de  formas. Modos  semióticos  particulares  e  combinações  de  modos  podem influenciar o processo de construção de sentidos de um leitor (WALSH, 2004, p. 11).

Walsh também tece comentários sobre as semelhanças que pode haver nos processos de leitura, independentemente do tipo de texto, que mostramos a continuação:

Semelhanças na construção de significados (meaning-making)

Sejam palavras ou imagens lidas num livro ou na tela de um dispositivo digital, um livro ilustrado ou um romance ou uma narrativa não ficcional, haverá semelhanças nos processos interpretativos e de construção de sentido, pois temos que entender o propósito social desse texto e seu contexto cultural e entender como ele pode estar relacionado com nosso próprio objetivo no uso desse texto.

Qualquer que seja o tipo de texto, muitas vezes precisamos "preencher as lacunas" para entender os contextos específicos culturais e sociais. O nosso entendimento vai ter relação de alguma forma com nossos conhecimentos e experiências anteriores. Os esquemas trazidos pelo leitor são elementos importantes em qualquer tipo de leitura.

A nossa forma de interpretar qualquer novo texto, sejam palavras ou imagens, produzirá novas interpretações, novas respostas e novos significados. Passamos por um processo interativo recursivo quando lemos palavras ou olhamos para as imagens, negociamos telas eletrônicas e hiperlinks. Fazemos comparações com as nossas experiências anteriores com palavras, imagens, telas e seu conteúdo, para, em seguida, construir um novo significado. Um novo texto irá desencadear essas novas respostas e interpretações. Estes processos que acontecem "na cabeça" do leitor aparecem detalhados na tabela seguinte:

Semelhanças na construção de significados com textos escritos ou multimodais:

• A necessidade de entender o mais amplo contexto sociocultural.
• Qualquer texto forma parte de um "gênero" específico (por exemplo, literário, informação, mídia, internet, "videogame"/ digital).
• O leitor ajusta suas expectativas de acordo com o tipo de texto ou propósito de leitura.
• Vários esquemas são ativados - conhecimento de mundo, conhecimento do tema, e conhecimento do gênero.
• Existe uma interação entre o leitor e o texto para que o significado seja construído. O significado pode ser feito com metafunções ideacionais, interpessoais ou textuais.* O leitor é "engajado".
• Compreensão e interpretação em níveis cognitivos e afetivos. [p.ex. literal, inferencial, respostas importantes, se identificar, ter empatia, fazer analogias].
• Entender, analisar e criticar ideologias, pontos de vista, "posicionamentos".
• A imaginação pode ser ativada.
• A informação pode ser obtida.
• Há um contexto específico, um discurso e uma coerência.
• As estratégias específicas para cada tipo de texto precisam ser ativadas pelo 'leitor' /observador [por exemplo, uma leitura por prazer ou uma leitura com um objetivo determinado as previsões, skimming/scanning*]. 

Observações:
* As metafunções ideacional, interpessoal e textual de Halliday são a base da linguística sistêmico funcional (LSF) de ampla utilização nos estudos de multimodalidade e semiótica social. 
* Skimming e Scanning, são termos em inglês muito utilizados na leitura instrumental. Skimming é a estratégia de fazer uma primeira leitura rápida para ter uma ideia geral do tipo de texto que vamos ler. Scanning é geralmente a estratégia que segue após escanear o texto, isto é uma leitura minuciosa, mais específica, à procura de informações específicas.

Referências
ASSUNÇÃO,  Fábio Nunes. Estratégias de leitura em língua inglesa: um estudo de infográficos em uma perspectiva multimodal. Dissertação. Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada – Centro de Humanidades, Universidade Estadual do Ceará, 2014. http://www.uece.br/posla/dmdocuments/F%C3%81BIO%20NUNES%20ASSUN%C3%87%C3%83O

WALSH,  Maureen.  Reading  visual  and  multimodal  texts:  how  is  'reading'  different?  In: Multiliteracies & English Teaching K-12 in the Age  of Information & Communication Technologies. Armidale, NSW, Australia: Australian Literacy Educator's Association & the University of New England, 2004, p. 24-37.  http://www.decd.sa.gov.au/northernadelaide/files/links/reading_multimodal_texts.pdf

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